Dar e receber
Na verdade, dar significa receber, não só nas relações matrimoniais, mas também em muitas outras situações. O professor aprende com os seus alunos, o desportista sente-se animado pêlos espectadores, alguns psicoterapeutas são curados pelos seus próprios pacientes. Tudo isto é óptimo enquanto não se cai na grande tentação de se procurar a si mesmo nessa entrega. Pois até nos actos mais desinteressados pode faltar o amor; até a bondade se pode converter em injustiça para com a outra pessoa, e uma entrega ostensiva pode chegar a ser ofensiva. Basta pensar nas donas de casa que se matam a fazer limpezas, e depois o lançam à cara do marido.
Namoro permanente
Passado algum tempo casámos e fizemos alguns propósitos. Um deles foi de não deixar passar nenhum dia sem «namorarmos», quer dizer sem dedicar uns momentos a conversar a sós sobre o que se passava connosco. Outro propósito foi o de sempre que tivéssemos uma briga – coisa normal e até saudável entre casados – nunca deixar que acabasse o dia sem nos reconciliarmos. Aquele que fosse mais humilde ou sentisse que tinha agido mal pedia desculpa e tudo ficava sanado.
Necessidade de uma conversão
Porém, a beleza da vida conjugal, do amor conjugal, está em que constitui um chamamento a elevar-se sobre esse egocentrismo, a consagrar-se ao cônjuge em primeiro lugar, e ambos, depois, à obra do lar, que transcende os esposos.
No... [Ler o texto completo]
Diversidade
O amor manifesta-se das mais diversas maneiras. Encontram-se lares em que os esposos não podem passar um sem o outro, em que uma separação de vinte e quatro horas tem aspectos de tragédia, em que o regresso, após uma breve ausência, dá lugar a cenas de enternecimento e constitui um acontecimento. Noutros, os esposos separam-se de bom grado de vez em quando e consideram salutar uma certa independência, porque a ausência renova o amor e, mantendo cada um a sua personalidade, adquire esta um enriquecimento de que ambos aproveitam.
Para... [Ler o texto completo]
Uma dupla imperfeição
Não é possível um conhecimento mútuo total. Não é possível chegar a compreender-se sem reticências. Cada um de nós possui uma certa qualidade de sentimento, um certo recanto da inteligência que nunca se torna inteligível a outro na sua totalidade. É impossível que dois seres humanos vivam na intimidade do matrimónio sem que um deles tenha esta ou aquela maneira de ver ou de julgar que o outro não compreenda, sem que não haja, ao menos quanto a pormenores
Convém... [Ler o texto completo]
Homem e mulher
Compreende-se então a inutilidade das discussões acerca da superioridade do homem sobre a mulher ou da mulher sobre o homem. O homem e a mulher são diferentes um do outro e cada um deve encontrar na união o fermento do seu pleno desenvolvimento. Nas relações entre esposos, no que cada um entrega ao outro, não podemos procurar equivalências de acordo com um princípio aritmético. O afecto do marido pela mulher tem um carácter diferente do afecto da mulher pelo marido; também as suas manifestações são diversas.
Mas,... [Ler o texto completo]