Como manter vivo o amor com o passar dos anos

“O actual monopólio de histórias de desamor provoca em muitos jovens uma desconfiança no casamento”. Assim afirmou o professor Gerardo Castillo durante a apresentação de seu último livro “A camisa do casado feliz. O segredo dos matrimónios que funcionam “ (Editorial Amat, Barcelona). O autor explicou que na obra tenta “dar resposta à “pergunta do milhão”: como manter vivo o amor com o passar dos anos?”.

Segundo o perito, “hoje muitos jovens casam-se mais tarde e nem sempre por impossibilidades de tipo económico”. Na sua opinião, existem pelo menos três causas mais: «A substituição do amor romântico pelo “amor” utilitarista baseado no cálculo; o medo ao amor comprometido; e o pessimismo em relação à possibilidade de uma vida conjugal feliz».

O professor do departamento de Educação afirmou que “muitos jovens trocaram a confiança pela desconfiança no amor e no casamento em grande parte, porque a informação que lhes chega não é de histórias de amor, mas sim de desamor e de fracasso conjugal”. Referiu-se, por exemplo, às tramas das séries de televisão: “Muitas delas giram em torno da infidelidade e do divórcio. Os jovens, desse modo, acabam por acreditar que já não existem amores fiéis e casamentos felizes. Têm medo de que o amor não dure, de se cansarem da vida em comum e de fracassarem no casamento”.

100 pesquisas a casais

Entretanto, o autor do livro “A camisa do casado feliz. O segredo dos matrimónios que funcionam” acredita em que existem milhares de casais felizes que permanecem no anonimato e que “terão que se converter em boa notícia”. Por isso, propôs-se averiguar quais são, na vida real, as chaves do sucesso do amor conjugal. Deste modo, pesquisou cem casais de diferentes países que se consideravam felizes. Uma felicidade que, no seu entender, “não é incompatível com conflitos e crises que podem e devem ser consideradas “normais”.

Aos pesquisados, com um mínimo de dez anos de vida conjugal, não lhes era pedido que dessem opiniões e receitas mas, simplesmente, que contassem sua experiência. “Pretendia conhecer o que de facto (e não em teoria) dá resultado. Como no velho conto atribuído a León Tolstoy, queria encontrar “a camisa do homem feliz”; no meu caso, a camisa do casado feliz”. Apoiando-se neste estudo, destaca no seu livro 20 factores a que os cônjuges consultados atribuem o êxito do seu matrimónio.

“A finalidade deste trabalho é, por um lado, ajudar, com a informação obtida, noutros casamentos”, indicou. Em segundo lugar, pretende “infundir optimismo: fazer ver que existem muitos casais felizes; que não há que ter medo a casar-se se as coisas se fazem bem, porque o casamento não é o que muitas vezes se diz com frivolidade: uma loteria”.

20 FACTORES DO ÊXITO NO AMOR CONJUGAL:

• Amor comprometido e de entrega que requer esforço diário:

1. Casar-se para toda a vida: ter claro que o matrimónio é para sempre.

2. Entrega total ao outro cônjuge na vida diária: contar desde o principio com que terão dificuldades e estas se podem superar utilizando todos os meios.

• Amor crescente, sempre vivo e renovado:

3. Ser consciente de que o amor não é um facto completo no momento da boda: é algo que se constrói cada dia, é uma conquista permanente. Terá que recomeçar sempre, fazer ressurgir o amor cada manhã, evitar o “acostumar-se” a viver com o outro caindo na rotina. O verdadeiro amor sabe inventar, sabe renovar-se com criatividade.

4. Utilizar recursos para manter a relação em bom estado e prevenir possíveis conflitos: falar a tempo, reconhecer enganos, saber desculpar-se, saber ceder (“dar o braço a torcer”), chegar a acordos, etc.

• Amor humilde, não auto-suficiente, que se deixa formar e ajudar, que sabe aprender:

5. Contar com as ajudas sobrenaturais próprias do matrimónio cristão, que ajudam a cumprir os deveres conjugais e a superar os momentos difíceis.

6. A boa lembrança de uns pais que se amavam de verdade como esposos.

7. Um bom namoro: tratamento pessoal, diálogo, sinceridade, conhecimento e respeito mútuo; orientado a um possível casamento

• Amor que supera o “eu” e o “tu” para chegar ao “nós”:

8. Ver sempre o outro cônjuge como o primeiro ou prioritário na própria vida; dar – lhe atenção preferencial sobre outras pessoas e interesses.

9. Ser feliz como efeito de fazer feliz o outro cônjuge; viver para o(a) fazer feliz.

10. Compartilhar experiências, problemas, estados de ânimo. Interessar-se pelas coisas do outro. Saber entrar no seu mundo. Contar com o outro na tomada de decisões.

11. Expressar abertamente os sentimentos vencendo possíveis falsos pudores e o medo de confiar totalmente no outro cônjuge

12. Ser amigos além de cônjuges

13. Admirar o outro e mostrar-lhe que o admira.

14. Aceitar e querer o outro como ele é, sem pretender mudar-lhe nada ou adaptá-lo à sua maneira de ser

15. Conviver como pessoas que se amam: sinceridade (não ter segredos com o outro), confiança, compreensão, respeito, boas maneiras, delicadeza no tratamento, saber calar, saber escutar, não dizer sempre a última palavra

16. Procurar um momento em cada dia para estarem os dois a sós e conversarem. Desfrutar da companhia íntima. Falar de tudo e passar bem o tempo juntos. Criar situações agradáveis que venham a ser boas recordações no futuro.

17. Cuidar em cada dia os pequenos detalhes que fazem mais grata a vida ao outro

• Amor positivo e flexível:

18. Resolver os conflitos no próprio dia; não se deitar com os problemas; dar o primeiro passo para falar; saber reconhecer enganos, pedir perdão e perdoar.

19. Nas discussões e confrontos apelar às boas lembranças e recorrer ao bom humor, que desdramatiza os problemas e ajuda a ver a realidade pelo lado mais favorável

20. Saber ajustar e afinar a relação amorosa diante das sucessivas mudanças que, com o passar do tempo, se vão produzindo na vida conjugal e familiar

(Manuel Castells, www.arvo.net)