Cultivar o amor

Depois, é preciso cultivar o amor. Se o amor é frágil, não se pode expor às rajadas do acaso: deve-se mantê-lo; deve-se cultivá-lo para que se desenvolva. Cada um dos esposos deve constantemente recomeçar a conquista do outro. Uma senhora de idade, que havia sido profundamente feliz numa união de quarenta anos, dizia-me: “a mulher não deve deixar nunca de procurar agradar a seu marido”. Deve manter um mínimo de coqueterie, pensar em agradar, não aos fátuos com que se cruza, mas ao seu marido. E o marido deve, todos os dias, procurar o amor da sua mulher.

Esta conservação do amor reveste formas diversas, consoante os lares. Alguns maridos apreciam na sua mulher uma elegância discreta, que não dê nas vistas; outros, sentem-se lisonjeados com o seu sucesso. Mas o que não há dúvida é que nenhum marido gosta de que a sua mulher seja desleixada. As mulheres desejam por via de regra compartilhar das preocupações do marido e introduzir-se na sua vida; a sua grande aspiração é serem tomadas a sério. Quando um marido apenas espera da sua mulher a sopa e as pantufas, é de temer que ela seja sensível a um terceiro que lhe venha manifestar apreço pela sua finura e sensibilidade. E ainda que esse terceiro não apareça, ou que ela seja suficientemente virtuosa para resistir a um terceiro, é de temer que enlanguesça como uma flor numa cave, e que já não experimente alegria em viver no lar.

Aprender a amar é, como vimos, aprender a viver para outrem. Despertar e estimular este amor é o milagre do amor conjugal, que se não pode conceber fora do matrimónio; e é por isso que o bom amor conjugal conduz a uma forma muito elevada de perfeição. Contudo, os esposos têm de passar por uma escola e esta escola do amor é algo muito diferente do que por isso se entende na literatura adulterada que usa termos semelhantes.

(Jacques Leclercq)