Devemos continuar?

Tomei conhecimento, não há muito tempo, de um estudo recente que mostra com clareza o efeito negativo que tem a coabitação. Aqui, costumamos dar à coabitação o nome de uniões de facto. O estudo, intitulado Marriage-Lite: The Rise of Cohabitation and its Consequences, foi publicado pelo Institute for the Study of Civil Society. A autora, a socióloga Patricia Morgan, afirma que a sociedade deveria ter um melhor conhecimento daquilo que implica a coabitação, nestes tempos em que ela se dá com frequência cada vez maior.

Há no Reino Unido cerca de 1,5 milhões de casais que vivem juntos sem estarem casados, e para 79% dos homens e 71% das mulheres, menores de 35 anos, é essa a forma inicial de vida em casal. São, sem dúvida, números espantosos. Na opinião da autora do estudo, a atitude crescentemente permissiva que se tem tido para com a coabitação – até ao ponto de ser considerada em muitos ambientes como algo normal – não tem feito senão ocultar os factos que o seu estudo manifesta. É interessante repararmos neles.

Nestas uniões de facto, as mulheres correm um risco maior de sofrerem maus tratos, o que não é de espantar. A realidade é que as uniões de facto costumam formar-se com uma rapidez muito maior do que os casamentos. O tempo de namoro e noivado – do qual não prescindem habitualmente aqueles que pretendem unir-se para toda a vida – serve para que os dois jovens se conheçam melhor um ao outro. Quanto mais curto for esse tempo de conhecimento, mais fácil é ocultar uma personalidade violenta.

Também as crianças sofrem consequências especialmente graves – pior rendimento escolar, mais problemas psicológicos -, graças à instabilidade do ambiente familiar. Esse ambiente deveria ser o ninho seguro, intocável, no qual elas se desenvolvessem harmoniosamente. Além disso, se não podem ter confiança em que os seus pais permaneçam juntos, dificilmente poderão no futuro formar eles mesmos uma relação duradoura.

A coabitação é mais frágil que o casamento. São menos de 4% as uniões de facto que duram mais de 10 anos. Em 20% dos casos, separam-se antes de terem passado 3 anos (no caso dos casais casados, esta mesma percentagem é de 3%). As uniões de facto que não terminam em casamento desfazem-se numa proporção quatro vezes maior que os casamentos. Os casais que coabitam são menos fiéis que os casados.

Para as mulheres, a coabitação parece ser um excelente caminho para se transformarem naquilo a que se chama mães solteiras ou mães solitárias, especialmente no caso daquelas que possuem menos recursos económicos.

Quanto aos homens, verifica-se que a coabitação é a forma ideal de continuarem a comportar-se como se fossem solteiros (na verdade continuam a ser solteiros), tanto no que se refere ao trabalho como às relações sociais e às responsabilidades em casa e com os filhos. Os homens casados costumam trabalhar com maior seriedade, e reduzem a sua vida social fora dos ambientes familiar e profissional.

O casamento e a coabitação dizem respeito à forma como nos organizamos para educar da melhor maneira a próxima geração, que terá a seu cargo a sociedade no futuro. Estamos a ver quais são as tendências. Devemos continuar assim, ou tentar mudar as coisas?

Paulo  Geraldo