Nas minhas memórias de infância

Nas minhas memórias de infância salienta-se não um acontecimento, mas sim uma pessoa. A minha Avó…

Os avós conseguem realmente ser marcantes na nossa vida, e nas circunstâncias da minha infância é realmente a minha memória mais doce, que felizmente ainda faz parte do meu dia-a-dia.

Se há anjos na terra, a minha avó é um. Respira bondade. Espalha serenidade. Não sabe não sorrir. Preocupa-se com todos. É a ponte, a união. Lutadora, pacificadora e sempre enternecedora. Mal sabe escrever e no entanto a sua sabedoria é milenar. Em sentimentos, em conselhos, em vida. A sua pequenez física esconde a luz incandescente de alguém maior. A minha avó tem uma aparência frágil, mas uma garra de ferro.
Resistiu a choques impiedosos da vida, e mantém sempre sua fé e dignidade intactas. Cresci nutrida pelo carinho dela e pela sua devoção.

É uma Senhora!!

Lembro-me de um dia, ter perguntado à minha mãe porque morrem as pessoas , e ela explicou-me que as pessoas ficam velhas e, então, morrem. A minha resposta foi: “Eu não quero que ninguém morra!” … coisa de crianças…

Mas a verdade é que ainda hoje dou por mim a questionar…”Como vai ser quando minha avó morrer” e a pensar que talvez “morra” junto com ela pois não sei se irei aguentar a perda.

Acho que a morte vai ser sempre na minha vida um assunto que não vou trabalhar e entender bem… mas enfim.

O que importa é que são meus o privilégio e a bênção de ser neta de alguém assim… Como tal, fica aqui minha homenagem e meu agradecimento a ela, que é minha segunda mãe e uma pessoa maravilhosa na minha vida.

(Vera Azevedo)