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Pai fantasma
Lisboa,
21 de Dezembro de 1992 Ele pediu à minha mãe para não convidar ninguém, pois logo a seguir ao jantar tem de voltar para o hospital. Ela
ficou chateadíssima e disse que já tinha tudo programado. «Então, desprograma,
Bé. Não devias ter feito convites sem me consultares...», foi tudo o que ele
disse. Pela primeira vez há muito tempo, senti certa pena da minha mãe. Voltando
ao assunto da prenda, a melhor ideia que me ocorreu foi oferecer-lhe uma moldura
com uma fotografia que a avó Ju me tirou o ano passado na praia. É a única fotografia
decente que tenho, isto é, não estou com cara de débil mental, como nas outras.
Pode ser que ele goste e que se lembre um pouco de mim quando olhar para a mesa
que tem no consultório... De
qualquer maneira, resolvi escrever-lhe um cartão de parabéns e, sem eu saber
como nem por quê, saiu-me uma coisa que nem sei se se pode chamar poema. É assim: Será que é duro demais? Fui sincera e pronto. Amanhã, quando a mesa estiver posta para o jantar, ponho-lhe o cartão debaixo do guardanapo. Não quero que ele tenha uma indigestão, mas se ficar um bocado mal-disposto, só lhe faz bem. Para
aprender ! Vou
ao centro comercial comprar a moldura. Tem de ser verde, para condizer com o
consultório. Um beijo da Joana
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A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família. (Tolstoi)
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