Um dia, quando os meus filhos crescerem…

Se eu lhes conseguir explicar e eles quiserem entender…

Quero que saibam que noutros tempos, na infância dos seus pais, o mundo era um lugar muito diferente…

Quero que saibam que não ficávamos horas a fio em frente à televisão (ainda a preto e branco e só com 2 canais) ou agarrados a um viciante jogo de computador…

Quero que saibam que não tínhamos Playstation, nem MP3, nem Internet…

Quero que saibam que as palavras sms, e-mail, download, entre tantas outras, não faziam parte do nosso vocabulário porque não existiam, pura e simplesmente…

Quero que saibam que não havia telemóveis e que a maioria das casas nem sequer tinha telefone…

Quero que saibam que mesmo assim conseguíamos ser felizes, brincar e fazer as nossas tropelias…

Quero que saibam que tínhamos amigos com quem partilhávamos todos os momentos que podíamos e que íamos a casa deles, a pé ou de bicicleta, para ver se eles lá estavam…

Quero também que saibam viver cada momento presente, que saibam preparar o futuro e, acima de tudo, aprendam a lutar por ele…

Quero que saibam alegrar-se com os sucessos, mas sobretudo levantar-se e recomeçar após uma desilusão…

Quero que saibam entender e amar a vida com tudo o que ela tem de simples, de belo, mas também de cinzento e de luta…

Um dia, quando os meus filhos crescerem, se eu lhes conseguir explicar e eles quiserem entender, quero que saibam tudo isto e muito mais para mais tarde também eles o ensinarem aos seus filhos…

(Luís dos Anjos)