Uma Ministra da Família com sete filhos

Ursula von der Leyen, 47 anos, é a ministra para a Família no novo governo alemão, e tem bons predicados para ocupar o cargo: médica e mãe de sete filhos, conseguiu também fazer carreira na política. Num governo onde existem quatro mulheres sem filhos, o seu caso chama a atenção. Markus Wehner entrevistou-a para o “Frankfurter Allgemeine Zeitung” (27-12-2005).

– Na Alemanha, uma ministra com sete filhos é considerada uma provocação.

– Na verdade, os muitos filhos que me foram concedidos são, para algumas pessoas, uma provocação. Mas há também muitas pessoas que dizem: “Que bonito que ainda haja alguém a viver essa experiência e ainda por cima com um cargo político”. Alguns comparam a sua situação com a minha e afirmam: “Nós próprios temos de fazer sacrifícios com um ou dois filhos”. A época mais difícil para o meu marido e para mim foi o início da nossa vida profissional como médicos jovens no hospital, com turnos nocturnos e diurnos, com filhos pequenos que precisavam da nossa dedicação, e também com a inexperiência de jovens pais aliada a rendimentos modestos. Nessa época, havia alturas em que me sentia realmente desesperada.

– Agora temos no governo quatro mulheres sem filhos e apenas a senhora ministra contribui para a quota de filhos. Não será isto sinal de que é difícil conciliar carreira profissional e filhos?

– É certo que temos um governo que reflecte a realidade da Alemanha. Ao contrário de muitos outros países europeus à nossa volta, na Alemanha, o facto de não se ter filhos já não é considerado uma carência. Gostaria de deixar claro que se trata de uma febre cultural. Mas a renúncia a ter filhos também se transformou, na Alemanha, em requisito para uma brilhante carreira profissional. E isto constitui um verdadeiro drama.

– A renúncia a ter filhos é o preço que muitas mulheres têm de pagar pela sua emancipação?

– De forma alguma. Simplesmente ainda não conseguimos harmonizar uma boa formação e a entrada no mundo laboral com a educação dos filhos. E existe outro aspecto importante: temos de focar mais a nossa atenção no pai porque está provado que são os homens, mais que as mulheres, que excluem os filhos quando planeiam as suas vidas.

– O culto da figura do “solteiro independente” não é também um factor importante na renúncia aos filhos?

– É verdade que acentuou esta influência. Mas, ao mesmo tempo, algumas empresas reconhecem que, quando se procuram jovens com uma boa formação, é necessário também prestar atenção ao desejo dessas pessoas em ter filhos. As capacidades de liderança – capacidade de trabalho, de organização, sentido de responsabilidade – adquirem-se fundamentalmente, não na profissão, mas na família e em cargos não remunerados. Uma empresa que pretenda fazer surgir personalidades com sentido de liderança mas ao mesmo tempo humanamente ricas, deverá preocupar-se em que essas pessoas tenham tempo e lugar para serem também pais ou mães.

– Mas a realidade é outra.

– Tem razão. No entanto, a política também deve fazer a sua parte, criando uma infra-estrutura variada e flexível que possibilite dar atenção aos filhos, e procurando que a política económica seja uma ajuda real na etapa em que se têm os filhos, que é normalmente a mais crítica. Por este motivo, neste governo de coligação, decidimos conceder especial importância às famílias jovens, com relevo para um subsídio para os pais a partir de 2007.

ACEPRENSA

(tradução para a Aldeia de Lara Gisela Dias)